8 passos para transformar seu planejamento financeiro

O Primeiro Passo para uma Vida Financeira Equilibrada

Organizar suas finanças pode parecer desafiador, mas com pequenos passos e hábitos consistentes, é possível alcançar a estabilidade financeira que você deseja. Este guia apresenta 8 passos práticos para ajudá-lo a tomar o controle do seu dinheiro, eliminar dívidas e construir um futuro mais seguro.

1. Controle e ajuste suas finanças regularmente

A primeira coisa para ter sucesso no planejamento financeiro da sua vida é saber para onde o seu dinheiro está indo.

Segundo um estudo realizado em 2024, quase metade dos brasileiros, independentemente de sua classe social, não tem conhecimento total sobre as receitas e despesas de seu orçamento pessoal.

Ter controle do seu orçamento é o ponto de partida para qualquer planejamento financeiro bem-sucedido, mas apenas registrar suas finanças não é suficiente. É fundamental revisar e ajustar seus gastos regularmente para garantir que você continue no caminho certo.

Comece pelo controle: Registre todas as suas receitas e despesas em um aplicativo, planilha ou caderno. Categorize seus gastos em itens como aluguel, alimentação, transporte e lazer. Isso permite visualizar exatamente para onde seu dinheiro está indo e identificar áreas onde é possível economizar.

Depois, acompanhe e ajuste: Reserve um momento todo mês para revisar suas finanças. Pergunte-se: ‘Estou gastando dentro do planejado? Algum imprevisto aconteceu? Minhas metas ainda fazem sentido?’ Por exemplo, se um gasto inesperado, como uma despesa médica, impactar seu orçamento, ajuste outras áreas para compensar.

Além disso, planeje com antecedência para meses com despesas maiores, como impostos ou férias. Esse hábito não só evita surpresas como também mantém seu orçamento no azul.

Por fim, lembre-se de que seu planejamento financeiro deve ser flexível. A vida muda, e seu orçamento também pode (e deve) ser ajustado para refletir novas prioridades ou desafios. Com consistência, esse acompanhamento será natural e trará tranquilidade no longo prazo.

2. Estabeleça metas claras e alcançáveis

E para que você pretende se organizar financeiramente? Para fazer uma viagem? Comprar uma casa ou um carro? Ter dinheiro suficiente para não precisar mais trabalhar e viver de renda? Essa é uma pergunta importante que você precisa saber responder. Se você não sabe para onde quer ir, dificilmente vai saber qual o caminho a ser percorrido.

As metas permitem o estabelecimento de um propósito, fornece senso de realização e permite focar naquilo que é importante. Ao estabelecer que você está se organizando financeiramente para comprar um carro daqui a 3 anos ou quitar uma dívida dentro de 1 ano, você cria um propósito claro e direciona seus esforços para a realização daquele objetivo.

Mas é importante que, ao definir metas, elas sejam específicas, mensuráveis, alcançáveis, realistas e temporal (são as chamadas metas S.M.A.R.T.). Vamos dar um exemplo para que isso fique mais claro.

Exemplo

Meta Ampla: Comprar um carro novo.

Meta S.M.A.R.T.: poupar R$ 700 por mês, durante 5 anos, para comprar um carro de R$ 40 mil.

  • Ela é específica, pois, deixa claro para que será utilizado o dinheiro (comprar o carro de R$ 40 mil).
  • Ela é mensurável, pois mostra quando deve ser poupado por mês (R$ 700)
  • Ela é alcançável, pois dilui o valor ao longo de 5 anos e o valor poupado é possível dentro do meu orçamento atual, considerando a minha renda e despesas mensais.
  • Ela é realista, pois tenho capacidade financeira para fazer os pagamentos mensais sem comprometer meu orçamento essencial.
  • Ela é temporal, pois tem uma previsão definida de tempo, no caso 5 anos.

Definindo metas segundo esse formato, suas chances de alcançar seus objetivos são bem maiores.

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3. Crie uma reserva de emergência

Organização e planejamento financeiro requerem disciplina. Você precisa ter disciplina para se organizar e disciplina para seguir o plano. Quando decidimos nos organizar financeiramente, fazemos isso para que possamos economizar dinheiro com vistas ao alcance de um objetivo. Mas, se não tivermos uma reserva de emergência, é muito fácil que abandonemos nosso planejamento e, com isso, a nosso objetivo vai por água abaixo.

Vamos exemplificar para que isso fique mais claro.

Suponha que a sua meta seja juntar 30 mil reais para comprar um carro. Para isso, você vem economizando por mês cerca de 500 reais. Ao final do sexto mês, você tem 3 mil reais. Daí, no sétimo mês, você tem um imprevisto: ocorre um vazamento na sua casa e você precisa trocar o encanamento. O valor total dessa troca de encanamento é de 1500 reais. Sem a reserva de emergência, você vai ter que tirar esses 1500 dos 3000 que já havia juntado. Agora, você passa a ter 1500 reais e jogou fora 3 meses de economia.

Portanto, é fundamental ter um fundo de emergência para que ele possa te salvar de situações como essas. A reserva de emergência é a sua reserva financeira. É o dinheiro que você tem guardado para enfrentar os imprevistos financeiros que possam surgir. A sua rede de segurança para cobrir os gastos que não previu, como o do exemplo do vazamento na sua casa.

Quais são as vantagens de ter uma reserva de emergência? Veja algumas:

  • Tranquilidade e segurança. Permite a você lidar com maior tranquilidade e segurança na ocorrência de gastos imprevistos, sem ter que alterar a sua vida financeira.
  • Evita endividamentos. Imagine se, no caso do exemplo anterior do vazamento na casa, a pessoa não tivesse nenhum valor investido. Nesse caso, ela teria que recorrer a empréstimos para resolver a situação. Com a reserva de emergência, você evita fazer dívidas.
  • Você consegue investir com disciplina. Como ocorreu no exemplo acima, você não precisará parar de poupar toda vez que um imprevisto surgir. A reserva de emergência estará lá para te salvar nessas situações.

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4. Pague suas dívidas, começando pelas mais caras

O brasileiro, em geral, é endividado. E o pior, muitos não conseguem pagar suas dívidas. Segundo dados de 2024 do Serasa Experian, 1 a cada 5 brasileiros está inadimplente. Como você vai conseguir se organizar financeiramente para economizar dinheiro e conquistar suas metas se parte do seu dinheiro vai embora por conta de dívidas?

Bem, dado que você já fez o retrato de sua situação (se não o fez, volte e releia o primeiro item desse texto), a primeira coisa que você deve fazer é montar uma estratégia para quitar suas dívidas. Você deve ter um plano para se livrar delas o mais rápido que você puder e evitar contrair outras dívidas no futuro.

Eis aqui um roteiro simples que pode te ajudar nessa tarefa:

  1. Avalie sua situação financeira. Liste todas as suas dívidas: valor total, taxa de juros e prazo de pagamento.
  2. Priorize as dívidas. Classifique as dívidas pela taxa de juro, da maior para menor. Priorize pagar primeiro as que têm os juros mais altos ou que estejam atrasadas para evitar multas e complicações.
  3. Renegocie dívidas. Entre em contato com credores e negocie condições mais favoráveis (parcelas menores, prazos maiores ou descontos para quitação à vista). Verifique, também, se é possível consolidar as dívidas em apenas uma com juros menores.
  4. Crie um orçamento. De novo, aí está o orçamento! Tenha controle do que você gasta e corte despesas não essenciais para liberar mais dinheiro para as dívidas. E defina quanto do seu orçamento mensal será dedicado ao pagamento das dívidas (priorize ao menos 20% da sua renda líquida, se possível).
  5. Reserva de Emergência. Olha ela aí de novo também. Reserve um pequeno valor (ex.: R$ 500 a R$ 1.000) como colchão emergencial para evitar novas dívidas em caso de imprevistos.
  6. Use estratégias de pagamento. Ou você pode optar por pagar as dívidas com os juros mais altos primeiro, ou você pode optar por pagar as dívidas menores primeiro para criar motivação.
  7. Gaste menos e ganhe mais. Evite novos empréstimos e o uso do cartão de crédito. Se possível, considere trabalhos extras temporários para aumentar sua renda.
  8. Monitore e celebre progressos. Atualize mensalmente a lista de dívidas e o saldo a pagar; comemore cada dívida quitada para manter-se motivado.

5. Invista regularmente, mesmo que comece pequeno

Deixe-me apresentar o José. Ele começou a investir aos 25 anos, com um hábito simples: todo mês, sem falhar, depositava 150 reais em um investimento que rendia 10% ao ano. José manteve essa disciplina por 30 anos. Hoje, aos 55 anos, o valor acumulado chegou a incríveis 254 mil reais! Parece mágica, mas é apenas o poder dos juros compostos somado à regularidade.

Guardar dinheiro é o primeiro passo, mas fazê-lo crescer é o verdadeiro segredo para atingir a independência financeira. O tempo é o maior aliado dos seus investimentos, porque os juros compostos funcionam como uma engrenagem que multiplica seus resultados. Quanto mais cedo você começar, maior será o impacto desse efeito ao longo dos anos.

O mais importante não é quanto você investe no começo, mas sim a frequência com que faz isso. Mesmo com valores pequenos, a consistência traz grandes resultados. Veja o exemplo do José: não foi um grande aporte inicial que fez a diferença, mas o compromisso de investir todo mês, sem interrupções. Essa disciplina é o que realmente transforma pequenas ações em grandes conquistas no futuro.

Outra grande vantagem de começar pequeno e investir com regularidade é que você não depende de ter grandes somas de dinheiro para começar. Hoje, existem opções acessíveis para todos os bolsos, desde Tesouro Direto ou CDBs com liquidez diária. Com apenas R$ 30, já é possível dar o primeiro passo.

Por fim, lembre-se: investir é uma jornada, não uma corrida. O tempo e a consistência estão ao seu lado. Não importa se você começa com 50, 150 ou 500 reais por mês. O fundamental é criar o hábito de investir regularmente.

6. Invista em educação financeira

Uma pesquisa do ano de 2024 realizada pela Onze, fintech de saúde financeira, apontou que 4 em cada 5 brasileiros sabem pouco ou quase nada sobre educação financeira. Ou seja, a maior parte da população brasileira é analfabeta financeira!

Portanto, não é surpresa que a maior parte das pessoas tenham problemas com o dinheiro; pelo contrário, é perfeitamente compreensível, afinal elas nunca foram ensinadas em como lidar com finanças e muito menos a fazer um planejamento financeiro.

Mas nunca é tarde para começar. E, hoje, com a Internet e a facilidade de acesso a conteúdo, é muito simples aprender conceitos sobre finanças, que vão te permitir a se organizar e a investir melhor. Inclusive, boa parte desse conteúdo é gratuito.

Vou deixar aqui algumas dicas de canais no YouTube para que você siga, livros que você pode ler e cursos gratuitos para começar a aumentar o seu grau de conhecimento financeiro:

  1. Me Poupe! – Nathalia Arcuri. Me Poupe! é um canal de finanças pessoais com dicas práticas e bem-humoradas para economizar, investir e enriquecer.
  2. Economista Sincero – Charleston Souza. Economista Sincero oferece análises diretas e sem rodeios sobre economia, investimentos e mercado financeiro, com foco em educação financeira.
  3. Você MAIS Rico – Bruno Perini. Bruno Perini compartilha estratégias de educação financeira, investimentos e empreendedorismo para alcançar independência financeira e liberdade de escolha.
  4. Livro Pai Rico, Pai Pobre (Robert Kiyosaki). O livro ensina princípios financeiros e diferencia mentalidades sobre dinheiro, destacando a importância de ativos e educação financeira.
  5. Livro A Psicologia Financeira (Morgan Housel). Explora como emoções, comportamentos e decisões influenciam finanças pessoais, destacando lições para construir riqueza de forma sustentável.
  6. Curso Gestão de Finanças Pessoais. Curso gratuito oferecido pelo Banco Central do Brasil em parceria ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) e que apresenta conceitos básicos do tripé de educação financeira : Planejar o uso do dinheiro, Poupar ativamente e usar o Crétido de forma responsável.

Dica final: Separe 30 minutos por semana para ler sobre investimentos, assistir a vídeos de especialistas ou fazer um curso básico de finanças online.

7. Planeje sua aposentadoria

Já falamos sobre metas financeiras, e uma das mais importantes, que não podemos ignorar, é a aposentadoria. O modelo previdenciário brasileiro, infelizmente, caminha para um cenário insustentável. Com o aumento da expectativa de vida, haverá cada vez mais pessoas recebendo aposentadorias e menos pessoas trabalhando para sustentar o sistema. Em algum momento, a conta simplesmente não vai fechar. Por isso, contar exclusivamente com o INSS não é uma estratégia prudente.

Planejar sua aposentadoria significa tomar as rédeas do seu futuro financeiro. Para garantir tranquilidade na aposentadoria, você precisa começar a investir parte do que ganha hoje. Existem várias opções para isso, como previdência privada, investimentos em renda fixa, ações que pagam dividendos, fundos imobiliários, entre outros. O importante é entender que o dinheiro que você poupa e investe agora será o pilar da sua independência no futuro.

Mas como dar os primeiros passos nesse planejamento? O ponto de partida é imaginar como será sua vida na aposentadoria. Pense no estilo de vida que deseja manter e nos gastos que terá. Use os custos que você tem hoje como base para estimar uma renda mensal necessária no futuro. Essa reflexão te ajudará a definir quanto você precisa receber mensalmente para viver confortavelmente no futuro.

Vamos ser mais específicos. Suponha que sua meta seja ter uma renda de R$ 10 mil por mês na aposentadoria. Para calcular quanto precisa acumular, considere o tempo que pretende usufruir dessa renda. Por exemplo, se planeja viver 20 anos aposentado, o cálculo é R$ 10.000 x 12 meses x 20 anos, o que resulta em R$ 2.400.000,00. Esse é o montante que você deve alcançar para garantir sua meta de renda. E claro, é importante levar em conta o impacto da inflação ao longo dos anos e ajustar esse valor conforme necessário.

Com o valor-alvo definido, é hora de criar um plano para alcançá-lo. Isso pode incluir reservar uma porcentagem fixa da sua renda para investir todo mês. O segredo aqui é a consistência: quanto antes você começar e mais disciplinado for, mais fácil você atinge esse objetivo.

A aposentadoria é uma certeza. O que está em aberto é como será a sua qualidade de vida nesse período. Quanto mais cedo você começar a se planejar e investir, mais liberdade terá para aproveitar essa fase sem preocupações financeiras.

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8. Revise sua relação com o consumo

A organização e o planejamento financeiro, para ser sincero, é muito mais um aspecto de psicologia financeira do que de matemática financeira. É muito comum fugirmos do planejamento financeiro, desviar de nossas metas por conta do consumo por impulso.

Se você é uma pessoa que está descontrolada financeiramente, sugiro que faça uma reflexão pessoal:

  • Liste suas compras no último ano;
  • Em seguida, marque aquelas que foram feitas por impulso, sem pensar muito.

Tenho certeza que você vai encontrar pelo menos uma compra que você fez de forma impulsiva, de um bem que não precisava de verdade.

É necessário que esse ciclo seja rompido. As compras desnecessárias acabam com o planejamento financeiro, atrapalham o alcance dos nossos objetivos e são o ponto de partida para o endividamento. Repito: é necessário por um fim ao consumo por impulso.

Da próxima vez que for comprar algo, pergunte a si mesmo: “Eu realmente preciso disso agora?” Um exemplo é esperar 48 horas antes de fazer uma compra por impulso. Isso evita gastos desnecessários e te ajuda a focar no que realmente importa, como suas metas financeiras.

Eis aqui algumas dicas para acabar com essa prática:

  1. Adote a regra das 48 horas: Espere dois dias antes de comprar algo que não seja essencial.
  2. Evite gatilhos: Cancele assinaturas de e-mails promocionais e limite visitas a lojas online.
  3. Faça uma lista antes de comprar: Planeje suas compras e evite adicionar itens fora da lista.
  4. Evite compras em momentos de cansaço ou estresse: Decisões impulsivas são mais frequentes nesses estados emocionais.
  5. Evite compras por status: Pergunte-se se está comprando para impressionar ou por necessidade.
  6. Questione o custo por uso: Avalie quantas vezes realmente usará o item antes de adquiri-lo.
  7. Estabeleça um limite mensal para compras impulsivas: Tenha uma quantia pequena destinada a desejos não planejados, sem comprometer o orçamento.
  8. Pratique o minimalismo: Adote a filosofia de “menos é mais” e foque em qualidade, não quantidade.
  9. Reavalie assinaturas e serviços recorrentes: Cancele aqueles que não usa regularmente.
  10. Evite carregar o cartão de crédito sempre: Use-o apenas para compras planejadas e importantes.
  11. Evite cair em promoções por impulso, como ‘leve 3, pague 2’. Avalie se o produto realmente é necessário e se encaixa no seu orçamento.

Faça Acontecer: Dê Vida ao Seu Planejamento Financeiro

Agora que você conhece os 8 passos para um planejamento financeiro fácil e simples, é hora de colocar tudo em prática.

Lembre-se: mudanças levam tempo, mas cada pequena atitude faz diferença. O mais importante é começar e manter o foco nas suas metas.

Seu futuro financeiro depende das escolhas que você faz hoje, então, não deixe para depois. Com determinação e consistência, você pode transformar sua relação com o dinheiro e viver com mais tranquilidade e liberdade. Que tal começar agora? Você consegue!