Quando se fala em riscos de investimentos, muitas pessoas associam imediatamente à possibilidade de perder dinheiro. Mas o conceito vai muito além disso: cada tipo de investimento está sujeito a diferentes riscos, que podem afetar seus resultados de formas distintas.
Saber identificar e compreender esses riscos é essencial para tomar decisões conscientes e proteger seu patrimônio. A seguir, listamos os 9 principais tipos de riscos de investimentos, com explicações detalhadas para que você invista com mais clareza e segurança.
O maior risco de todos é não estar disposto a correr nenhum risco.
Benjamin Graham.
1. Risco de Mercado
O risco de mercado é o mais conhecido e o mais presente na vida do investidor. Ele se refere às oscilações de preço dos ativos provocadas por fatores econômicos, políticos, sociais ou até mesmo psicológicos do mercado. Eventos globais, como guerras e crises financeiras, são exemplos que podem impactar diretamente ações, fundos imobiliários e moedas.

Esse tipo de risco é inevitável, já que está relacionado ao funcionamento natural da economia. No entanto, ele pode ser atenuado por meio da diversificação da carteira e de estratégias de longo prazo. Investidores que compreendem que oscilações fazem parte do jogo tendem a sofrer menos com momentos de volatilidade.
Um exemplo claro aconteceu durante a pandemia da Covid-19 em 2020, quando os mercados globais despencaram em poucas semanas. Quem manteve seus investimentos pôde recuperar as perdas nos meses seguintes, enquanto muitos que venderam por medo acabaram consolidando prejuízos.
2. Risco de Crédito
O risco de crédito está ligado à possibilidade de o emissor de um título — seja um banco, empresa ou até mesmo um governo — não cumprir sua obrigação de pagar juros ou devolver o valor investido. Esse é um risco muito presente em títulos de renda fixa privados, como CDBs, debêntures e letras de crédito.
Na prática, o investidor está emprestando dinheiro para o emissor e confiando na sua capacidade de pagamento. Quanto maior a chance de inadimplência, maior tende a ser a taxa de retorno oferecida para compensar esse risco. Por isso, títulos de emissores menores geralmente oferecem rentabilidades mais altas.
A forma mais comum de mitigar o risco de crédito é avaliar o rating (nota de crédito) do emissor, além de verificar se o investimento conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre aplicações de até R$ 250 mil por CPF e instituição.
3. Risco de Liquidez
O risco de liquidez acontece quando o investidor não consegue transformar seu ativo em dinheiro rapidamente, ou só consegue fazê-lo aceitando um preço menor do que o esperado. Em outras palavras, o ativo pode até ter valor, mas não há compradores dispostos naquele momento.
Esse risco é mais comum em ativos com mercados menores ou menos movimentados, como fundos imobiliários pouco negociados, debêntures sem liquidez ou até imóveis. Para o investidor, isso pode significar perder boas oportunidades ou não conseguir resgatar recursos em uma emergência.
Para reduzir esse risco, é importante alinhar o prazo do investimento com seus objetivos pessoais. Recomenda-se que recursos que são necessários no curto prazo sejam aplicados em ativos de alta liquidez, como Tesouro Selic ou fundos DI.
4. Risco de Inflação
O risco de inflação ocorre quando o retorno de um investimento não é suficiente para preservar o poder de compra ao longo do tempo. Isso significa que, mesmo com uma rentabilidade positiva, o investidor pode estar perdendo dinheiro “real” se a inflação for maior que o ganho obtido.

Esse risco é especialmente relevante em economias como a brasileira, onde a inflação historicamente apresenta momentos de alta. Quem investe sem considerar esse fator pode ter uma falsa sensação de ganho, quando na realidade está apenas acompanhando ou até ficando atrás da alta de preços.
Uma forma de proteger-se do risco inflacionário é investir em ativos indexados ao IPCA, como títulos públicos Tesouro IPCA+ ou debêntures incentivadas corrigidas pela inflação. Esses ativos garantem uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação.
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5. Risco de Juros
O risco de juros está relacionado às oscilações na taxa básica da economia (Selic, no caso do Brasil). Quando os juros sobem ou caem, o preço dos títulos de renda fixa, especialmente os prefixados e atrelados à inflação, também varia.
Na prática, se você comprou um título prefixado pagando 10% ao ano e, depois, a taxa de mercado sobe para 12%, o valor de mercado do seu título cai, já que os novos títulos oferecem um rendimento melhor. Isso afeta principalmente quem precisa vender antes do vencimento.
Por outro lado, quedas na Selic valorizam títulos já emitidos a taxas mais altas, gerando ganhos para o investidor. Ou seja, o risco de juros pode ser tanto uma ameaça quanto uma oportunidade, dependendo da estratégia.
6. Risco Cambial
O risco cambial ocorre quando há exposição a moedas estrangeiras, como o dólar ou o euro. Investimentos em ETFs internacionais, ações estrangeiras ou fundos multimercados podem sofrer variações tanto pela performance do ativo quanto pela oscilação da moeda.
Esse risco pode ser positivo ou negativo. Por exemplo, se o dólar valorizar frente ao real, os investimentos atrelados à moeda tendem a subir. Mas, se houver queda, o retorno pode ser prejudicado, mesmo que o ativo internacional tenha tido bom desempenho.
Por isso, é importante entender que investir no exterior não elimina riscos, apenas os diversifica. O ideal é que a exposição cambial seja planejada e compatível com o perfil do investidor.
7. Risco Comportamental
O risco comportamental é, muitas vezes, o mais perigoso e o menos percebido. Ele se refere às decisões irracionais que o próprio investidor toma, geralmente motivadas por medo, ganância ou euforia. Comprar na alta e vender na baixa são exemplos clássicos.
Muitos estudos de finanças comportamentais mostram que os investidores tendem a reagir de forma exagerada às notícias, o que os leva a tomar decisões precipitadas. Essa postura pode transformar uma oscilação normal de mercado em um prejuízo permanente.
Para mitigar esse risco, o investidor deve ter clareza sobre seus objetivos, adotar uma estratégia consistente e, de preferência, contar com planejamento financeiro que ajude a manter a disciplina.
8. Risco Operacional
O risco operacional está relacionado a falhas nos processos internos, sistemas ou na própria gestão da empresa em que você investe. Pode envolver desde erros contábeis até fraudes corporativas ou falhas em tecnologia.
Esse risco impacta principalmente quem investe em ações, já que problemas internos podem reduzir drasticamente o valor da empresa no mercado. Um escândalo de corrupção, por exemplo, pode derrubar o preço das ações de forma imediata.
Investidores podem reduzir esse risco analisando a governança corporativa das empresas, acompanhando auditorias independentes e diversificando seus investimentos entre diferentes setores e emissores.
9. Risco Regulatório
O risco regulatório envolve mudanças em leis, normas ou políticas públicas que podem afetar a atratividade de um investimento. Ele é especialmente relevante em setores fortemente regulados, como energia, telecomunicações e saúde.
Um exemplo comum é a mudança nas regras de tributação. Um investimento que hoje tem isenção de imposto pode, no futuro, ser tributado, reduzindo sua rentabilidade. Isso também vale para alterações em subsídios e políticas governamentais.
Para lidar com esse risco, o investidor deve acompanhar o ambiente regulatório e considerar diversificação internacional, já que políticas públicas variam de país para país.
Como Mitigar os Riscos de Investimentos
Todo investimento envolve riscos, mas isso não significa que o investidor esteja condenado a perdas inevitáveis. O grande segredo está em aprender a gerenciar esses riscos, reduzindo os impactos negativos e aumentando as chances de retorno positivo. Veja algumas das principais estratégias:
1. Diversificação da Carteira
A diversificação é uma das ferramentas mais eficazes contra os riscos de investimentos. Ao aplicar em diferentes classes de ativos — como renda fixa, ações, fundos imobiliários, câmbio e até investimentos internacionais — você reduz a dependência de um único mercado ou emissor.
Isso significa que, se uma parte da carteira tiver desempenho ruim, outra pode compensar. Por exemplo, enquanto a renda variável sofre com a volatilidade, a renda fixa pode garantir estabilidade e proteção. Esse equilíbrio ajuda a suavizar os resultados no longo prazo.
A diversificação não deve ser feita de forma aleatória, mas sim com estratégia, levando em conta seus objetivos financeiros, perfil de risco e horizonte de tempo.
2. Adequação ao Perfil do Investidor
Cada investidor tem uma tolerância diferente ao risco, e respeitar esse limite é essencial. Perfis conservadores tendem a buscar ativos mais estáveis e previsíveis, enquanto investidores arrojados podem se expor mais à volatilidade, desde que estejam preparados para lidar com perdas temporárias.
Identificar seu perfil permite escolher os investimentos que se alinham melhor à sua realidade, evitando frustrações e decisões impulsivas em momentos de crise. Muitas corretoras e bancos oferecem testes de perfil justamente para orientar essa escolha.
Investir de acordo com o perfil não significa abrir mão de boas oportunidades, mas sim equilibrar segurança e rentabilidade de forma consciente.
3. Gestão de Liquidez
Planejar a liquidez é fundamental para não ser pego de surpresa. Investimentos que exigem prazos longos de resgate não devem ser usados para objetivos de curto prazo. Ter uma reserva de emergência em ativos de alta liquidez, como Tesouro Selic ou fundos DI, é indispensável.
A gestão de liquidez reduz o risco de ter que vender ativos em momentos desfavoráveis, evitando prejuízos desnecessários. Além disso, garante tranquilidade para o investidor aproveitar oportunidades sem comprometer sua segurança financeira.
Equilibrar liquidez e rentabilidade é parte da estratégia: nem todo dinheiro precisa estar disponível imediatamente, mas uma parte deve estar sempre acessível.
4. Horizonte de Longo Prazo
Um dos maiores erros do investidor é querer resultados imediatos. A volatilidade no curto prazo pode assustar, mas muitas vezes é apenas ruído. Ao manter uma visão de longo prazo, o investidor consegue diluir riscos e aumentar as chances de bons retornos.

Isso é especialmente verdade em investimentos de renda variável, como ações e fundos imobiliários. Apesar das quedas momentâneas, o histórico mostra que, no longo prazo, esses ativos tendem a valorizar acima da inflação e dos juros.
Ter paciência e disciplina é essencial para que o risco de mercado se torne apenas uma etapa do caminho e não um obstáculo definitivo.
5. Disciplina e Educação Financeira
Por fim, nenhum plano funciona sem disciplina. Manter contribuições regulares, evitar resgates por impulso e seguir a estratégia definida são atitudes que protegem o investidor do risco comportamental.
Além disso, investir em conhecimento é investir em proteção. Entender os produtos disponíveis, acompanhar o cenário econômico e aprender com erros e acertos fortalece a tomada de decisão.
Quanto mais educado financeiramente for o investidor, menores serão as chances de cair em armadilhas emocionais ou em investimentos inadequados para seu perfil.
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FAQ – Perguntas Frequentes sobre Risco de Investimentos
1. Qual é o maior risco de investimentos?
O risco de mercado é geralmente o mais impactante, pois afeta praticamente todos os ativos. Entretanto, dependendo do tipo de aplicação, riscos como crédito ou liquidez podem ser ainda mais relevantes.
2. Qual é o investimento mais seguro no Brasil?
O Tesouro Selic é considerado o mais seguro porque tem garantia do governo federal. Ainda assim, é preciso lembrar que nenhum investimento está totalmente livre de riscos, já que a inflação pode corroer ganhos reais.
3. Qual é o investimento mais arriscado?
Ações de empresas pequenas (small caps), criptomoedas e derivativos são exemplos de investimentos de maior risco. Eles oferecem potencial de retorno elevado, mas também estão sujeitos a perdas significativas.
4. Como reduzir os riscos dos investimentos?
As principais formas de mitigar riscos são: diversificação da carteira, gestão adequada da liquidez, respeito ao perfil do investidor e disciplina para manter a estratégia no longo prazo.
5. O que é risco de liquidez em investimentos?
É a dificuldade de transformar um ativo em dinheiro sem perda de valor. Esse risco é comum em debêntures, fundos com baixa negociação ou até imóveis, que podem demorar a ser vendidos.
6. O risco é maior na renda fixa ou na renda variável?
A renda fixa costuma ser mais estável, mas não está livre de riscos como crédito, juros e inflação. Já a renda variável apresenta maior volatilidade, mas pode gerar retornos superiores no longo prazo.
Conclusão
Os riscos de investimentos nunca podem ser eliminados, mas podem (e deve) ser gerenciados. Diversificação, análise criteriosa e disciplina são ferramentas essenciais para minimizar impactos negativos e potencializar os resultados ao longo do tempo.
Investir é aceitar riscos, mas também é aprender a lidar com eles. Quanto mais conhecimento você tiver sobre cada tipo de risco e sobre as formas de mitigá-los, maiores serão suas chances de alcançar seus objetivos financeiros de forma sustentável.
